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sexta-feira, 3 de julho de 2020

Quizila (ewó) - Xapanã/Sapaktá (Obaluayê/Omulú) e Xangô (Sogbô)



    Sempre alerto em minhas previsões ou redes sociais sobre os cuidados que os filhos de Xangô devem ter em anos regidos por Xapanã/Sapaktá (Obaluayê/Omulú), pricipalmente em anos bissextos. Vou explanar, dentro da minha tradição e aprendizagem, sobre esta quizila (èèwò) e suas lendas (itãns) entre estas duas divindades.

    Primeiramente, vamos entender que quizila (èèwò), ewó no português, é tudo aquilo que provoca uma reação contrária ao axé (força vital) de um respectivo Orixá. Estas energias negativas podem estar contidas em alimentos, cores, situações vividas entres os Orixás (em sua passagem terrena, mitologias), animais e até mesmo na própria natureza.

    Esta ewó (quizila) é visto nos itãns ligados ao Vodun Sapaktá (Xapanã/Obaluayê, Yourubá). Onde, na concepção dos povos Jejê-Fom, os supremos Mawu (feminino) e Lissá (masculino) tinham como filhos, dentre outros, os Voduns Sapaktá e Sogbô (Xangô, Yourubá). Porém entre os irmãos haviam muitas disputas, não existindo uma boa convivência entre eles. Contudo, para que não houvesse mais discussão entre os irmãos, Sapaktá decide ir morar com seu povo na cidade que havia ganhado de seus pais (Mawu-Lissá), a cidade de Savalu, onde cuidaria de seu povo e seria reverenciado. Sapaktá levou para sua terra todas as riquezas que ganhara de seus pais, se preocupou com tudo, mas esqueceu a água, deixando-a no meio das riquezas de seu irmão Sogbô. Com o tempo a água da chuva não caía mais um pingo, e logo os moradores de Savalu foram até o palácio de Sapaktá se queixar. Onde o mesmo lhes disse para que não se preocupassem, que a chuva estaria prestes a chegar. Só que as palavras de Sapaktá não foram cumpridas, e 3 anos haviam se passado sem chuva. Nesse mesmo período dois Bokonons muito conhecidos em todas cidades por serem grande adivinhos e grandes consultores de Fá (Ifá, Yourubás) haviam acabado de chegar a Savalú (Bokonon é a denominação Fom para Babalaô (Yourubás), neste caso, sacerdote iniciado para o culto do Vodun Fá). Esses homens pediram para falar com o rei da cidade, onde os seus súditos então os levaram até o palácio. Ao chegarem, os dois Bokonons (Babalaôs) logo se apresentaram ao Rei Sapaktá, que logo percebeu que eles falavam uma língua diferente, mas que ele reconhecia, era a língua falada no orun (céu). Então logo o rei questionou o que estaria acontecendo em seus domínios, já que não chovia a muitos anos. Os Bokonons responderam que não sabiam, mas que se Sakpatá quisesse saber, eles poderiam consultar Fá (Ifá). Sapaktá então autorizou e ao consultarem Fá (Ifá), descobriram que tudo que estava acontecendo era por causa de dois irmão que desejavam possuir as mesmas coisas, e que Sapaktá deveria fazer uma oferenda (presente/agrado) para acalmar seu irmão. O rei na mesma hora mandou providenciar tudo que Fá havia lhe pedido através dos cauris (búzios, Yourubá). Feito a oferenda, mandaram um pássaro entregar aos altos do céu, onde morava seu irmão Sogbô. Que ao avistar o pássaro lançou um raio em direção ao mesmo, que se esquivou, e fez com que Sogbô reparasse em suas habilidades. Identificando o pássaro que Sapaktá criara desde de filhote, deixando assim, o mesmo se aproximar. Rapidamente o pássaro deixou a oferenda e foi embora com recado que Sogbô havia aceitado a oferenda. Pedindo perdão ao seu irmão por ter sido tão ambicioso, e que Sakpatá não foi tão esperto como pensava, pois esquecera do mais importante, a água. E neste mesmo dia a chuva fez que rios, mares e lagos transbordassem de tanta água em Savalú, e os dois irmãos fizeram as pazes. Onde deste itãn (lenda) se toma a concepção de respeito e "distanciamento" entre estes Orixás. 

    Outra lenda (itãn), conta que Xangô, um rei muito vaidoso e extravagante, deu uma grande festa em seu palácio, convidando todos os Orixás, com exceção de Xapanã/Obaluaye. Pois as suas características místicas ligadas as pestes assustavam o rei do trovão, que não queria doenças em seu reino. Neste mesmo contexto, outro itãn refere-se ao motivo de Xapanã/Obaluaye ter sido zombado por Xangô durante uma festa em seu palácio. Devido seu corpo coberto de chagas, escondido entre as palhas, e de sua maneira de dançar. Despertando assim, a íra de Xapanã contra Xangô.

    Algumas tradições partem do princípio que Xangô, Rei de Oyó, com seu título de Obakoso (Rei de Koso). Dono dos raios, trovões, da força e poder do fogo, juntamente da justiça e o equilíbrio. Xapanã/Obaluayê, Rei de Empe, guerreiro e caçador, ao nascer é abandonado doente, acolhido por outra mãe. Onde fez de seu sofrimento e chagas sua vitória, galgando seu reinado, sendo temido e intitulado como "Rei da Terra", o "Rei dos Jêjê-Fom". Orixás de polos extremos, céu (orun) e terra (ayê), que com suas respectivas individualidades, matem o equilíbrio no mundo (ayê e orun).  

    Ambos exercem poderes sobre os mortos, Xapanã/Obaluaye no ayê (terra) carreia e comanda os processos de desencarnes, para que seja feito o julgamento de seus atos por Xangô no orun (céu), antes da possível entrada para um dos noves espaços criados por Olodumare. 

    Se são verdades ou mitos, nunca saberemos ao certo, mas este ewó (quizila) é tão temido e respeitado por muitas tradições brasileiras, que um dos grandes ritos do Candomblé, feito para Xapanã/Obaluayê em Agosto, chamado de Olubajé (O Banquete ao Rei), é proibida a manifestação de Xangô. Assim como nas festividades para Xangô, Xapanã/Obaluayê também não se manifesta no terreiro.

    Lembrando que nas religiões afro-brasileiras, em suas estruturações, infinitos povos compartilharam de suas mitologias e aglutinaram muitas de suas divindades aos Yourubás (Orixás), que prevaleceram em maior número. Vemos isso claramente na prática com nossas divindades Yourubás, os Orixás. Que trazem muitas práticas, falas e identidades de seus povos coirmãos, como os Jejê/Fom (Voduns) e os Bantos (Nkises). Seguindo sempre a linha de raciocínio que, em território africano a ideia de Batuque, Candomblé e etc, assim como estruturada no território brasileiro, não sustenta o modelo organizativo como os povos africanos esmiuçaram suas relações metafísicas. Foram diversos conflitos entre os inúmeros povos africanos, e suas diversidades entre povos similares, entre eles mesmos, antes ainda do período escravista, assim como, durante. Nem mesmo os povos Yourubás, denominados assim pelos europeus, na era da Costa dos Escravos, faziam parte de uma nação coesa. Eram compostos de diversas tribos, com suas etnias, línguas, crenças e costumes, em muitos territórios, aldeias e cidades.

    Fatores que só fortalecem a ideia de que "certo e puro" ou "errado" ficam cada vez mais distantes. Parto sempre do princípio de seguir sua tradição, visando os costumes e axé que seus Orixás se habituaram e escolheram. E por fim, não menos importante, sentir e vivenciar estas energias, tirando suas próprias conclusões. Aqui no Ylê de Oxum, acredito neste ewó e o respeito muito. 
    
    Um bom axé a todos!

Pai Daniel de Oxum




*Imagem meramente ilustrativa, retirada da internet (Google).

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Previsões 2020




O ano de 2020 será regido pelas divindades Xapanã e Obá, com as influências de Oxum, Oyá, Bará e Xangô. Os elementos que farão fusão em 2020 serão Terra e a Água. Algumas nações afro, Oxalá Bocum (moço), também regerá este ano. Bem como, no Candomblé, o ano será regido por Xangô.


Conforme consulta junto aos Orixás, em minha previsão de 2019, citei sobre os perigos que se aproximavam a partir de Novembro e Dezembro. Sendo um período onde teríamos muitos conflitos, guerras, discórdias, transtornos da natureza, problemas oriundos do fogo e consequentemente, morte de muitas pessoas. O calor será intenso, o elemento fogo ainda estará firme e forte! E este período conturbado se estenderá até 10 de Abril de 2020.


A partir de 11 de Abril traz consigo o impulso em suas diversas formas. A energia densa será cortada, o que estava parado, ganhará um rumo, o que estava perdido, ganhará uma motivação e um recomeço. Será o momento de tomar impulso e se por firme em suas direções, colhendo assim, bons frutos até o final do ano. Momento de focar em seus objetivos. No campo amoroso teremos um período de momentos intensos e duradouros, ano muito propício a casamentos, matrimônios, uniões estáveis. Mas um ano que não perdoará traições, acarretando muitas separações por conta da infidelidade. Chuvas e seus transtornos estarão em alta entre Abril e Agosto, muito cuidado com enchentes, desmoronamentos e afins. Neste mesmo período devemos ter cuidado e atenção aos problemas de saúde oftalmológicos, inflamações, infecções, bem como, cuidar acidentes de cortes ocasionados por faca ou demais objetos cortantes.


Em Agosto aquele que organizou seus objetivos de vida até este mês, poderá ficar tranquilo, colhendo os bons frutos de uma "terra fértil" e estável, principalmente nos meses de Setembro e Outubro. Aos que ainda não tomaram um rumo, não esperem um segundo semestre muito próspero! A partir de Novembro o polo negativo chegará, muitas mortes entre Novembro e DezembroAs causas mais impactantes serão por doenças, transtornos da natureza, tais como, terremotos e tsunamis (exterior) e a seca, falta de chuva. Também teremos aumento nos índices em decorrência de acidentes de trânsito e homicídios em suas várias formas. Período que pede resguardo. De Agosto em diante devemos ter cuidado e atenção aos problemas de saúde oriundos de problemas dermatológicos, câncer (órgãos) e doença infecto contagiosa; vírus, bactérias, fungos e parasitas. 


No campo financeiro, conforme minhas previsões, em 2019 iniciaríamos um novo ciclo astral de recessos financeiros, que perpetuará até meados de Abril de 2021. 2020 será o ano da "vassoura" e do "corte", o movimento da limpeza e da organização necessária para a vinda do novo ciclo em 2021. Ainda veremos industrias e comércios lutando pela sobrevivência, desemprego e falta de recursos. Mas fiquem tranquilos, o pior já passou! Aproveitem o período próspero de Abril a Agosto para fecharem o ano de 2020 em equilíbrio.


No campo da politica, quem acompanha minhas previsões através do meu Blog, pode constatar que previ a saída da ex presidente Dilma, bem como, previ que o atual presidente da república Michel Temer encerraria seu mandato até o fim de 2018. Assim como, publiquei que o ex presidente Lula seria condenado e preso durante as investigações, não concorrendo a disputa presidencial em 2018. Na ocasião previ também que Lula ficaria pouco tempo preso. Para os Alvoradenses que não seria uma candidata mulher que levaria a disputa da prefeitura na cidade, mesmo com as pesquisas apontando duas mulheres liderando o cenário. Complementei: “Os alvoradenses não devem criar grandes expectativas. O novo prefeito apagará alguns "incêndios", resquícios das antigas gestões, mas ainda não conseguirá atingir o retorno estimado.” O que de fato vem se confirmando diariamente na cidade de Alvorada. Antes das eleições de 2020 estarei publicando novas previsões sobre os candidatos.


Cores em destaque: violeta e rosa.


Números em destaque: 07 e seus múltiplos.



Um grande axé!

domingo, 20 de agosto de 2017

Orixás Xapanã e Sapaktá (Obaluayê/Omulú)





    Dia 17 de Dezembro é o dia de São Lázaro, sincretizado a Xapanã e Sapaktá, 
na grande maioria das tradições do Batuque RS. Já no Candomblé e na Umbanda levam o nome de Obaluayê e Omulú e são associados a São Roque. Para algumas vertentes Xapanã e Sapaktá tratam-se da mesma divindade, sendo Sapaktá uma "passagem/qualidade/caminho" de Xapanã. No qual as divindades foram aglutinadas, no processo de formação dos cultos afro-brasileiros. Outras, são divindades distintas, com natureza similares e suas respectivas ressalvas de culto. Sapaktá também pode ser sincretizado por Nosso Senhor dos Passos (calvário).
   
    Na grande maioria, Xapanã é considerado um Orixá oriundo de Empê (atual Norte-Central da Nigéria), no território dos Nupés ou Tapas, sendo o rei de Empê. Guerreiro, velho, sábio, feiticeiro, temido e impiedoso que, seguido de suas tropas, percorria por todos os cantos do mundo. Ele massacrava a todos que se opunham à sua presença, seus inimigos saíam dos combates mutilados ou morriam de peste. Agindo de forma silenciosa, séria e precisa. O Olugbajé é nome ritualístico dado a seu banquete anual. Tendo como objetivo principal o prolongamento da vida e a promoção da saúde.

    Em grande parte, Sapaktá é um Vodun originário dos povos Jejê-Savalu. Rei da cidade Savalu na África, segundo alguns historiadores, Sapaktá foi o único governante que preferiu o exílio a se render aos conquistadores do Daomé. Sendo Sapaktá o grande Ayinon (rei) dos Jejê-Fom. Considerado filho mais velho de Mawu, ele é o dono do mundo (ayê). Controla a fertilidade da terra e suas transformações, as doenças contagiosas e suas deformidades, a duração da vida, a própria morte. É um Vodun misterioso, impulsivo, vingativo e astuto, tem pequenas similaridades com Orixá Exú/Bará dos Yourubás. O Andeyì é nome ritualístico dado a seu banquete anual. Tendo também, como objetivo principal, o prolongamento da vida e a promoção da saúde. Porém, a ritualística dos Jejê-Fom caracteriza-se por ser muito mais "fechada" e envolta em mistérios do que a dos Yourubás (Olugbajé).

    Muitos adeptos e pesquisadores buscam pela singularidade destas divindades, por serem muito estreitos seus ritos e denominações. Dentre elas, a mais coerente em meu entendimento, é a descrita por Roger Bastilde, no estudo das Religiões Africanas no Brasil. Onde Roger apresenta uma leitura de Omulú, como uma divindade daomeana que pune os que não lhe fomentam culto. Para estes, a divindade mandaria a varíola, despertando o medo e respeito dos iorubanos, no qual passaram a reverenciá-lo como o "Deus das Epidemias" e seu nome tornou-se tabu. Onde se "justificaria" o crédulo dos Yorubás com o Orixá Xapanã/Obaluayê/Omulú. 

    Dentre outras corruptelas, o nome Xapanã, vem de Sànpònná (Fon), idioma do povo Jêje do antigo Daomé, atual Benin, que significa "Dono da Terra". Trazendo a conclusão de que Sapaktá, Obaluayê e Omulú, seriam todos "codinomes" desta divindade, que não poderia ser chamada diretamente por seu verdadeiro nome, em respeito. Surgindo as identidades Xapanã/Sapaktá (Vodun/Jejê/Fom) e Obaluayê/Omulú (Orixá/Yourubá).

    Lembro que em solo africano, dentro dos próprios povos matrizes, existiam distinções em partes de seus ritos, incluindo nomes das divindades. Dificultando ainda mais buscar e formar uma relação estreita entre estas divindades. Em algumas mitologias, ainda, o culto do Sapaktá antecede ao sistema religioso de Oduduá, quando de sua chegada a Ifé, ressaltando o quanto este Vodun transcendeu. 

    Muitas incógnitas cercam estas possíveis origens, mas como Babalorixá, posso constatar, que em meus ritos junto destas divindades se transmitem energias bem distintas, perceptível até mesmo entre os mais novos iniciados nestas divindades.

     Contudo, no Batuque, Xapanã e Sapaktá, com Oyá/Yansã, dividem o axé no processo de desencarne, encaminhando nossa alma (emí) a um dos nove reinos de orún (céu), conforme mitologia dos Yourubás. Bem como, atuam em nossa defesa contra os espíritos obsessores (Aparakás, Kiumbas e Zombeteiros) e suas respectivas mazelas. São de suma importância nos preceitos de limpezas e descarrego. A cabaça (àkerègbè), a lança (òpá òkò), a vassoura (xaxará), a palha-da-costa (Ikó) e o cachimbo (kòkò), são alguns dos principais objetos de força e misticismo destes Orixás. O Maricá e a Figueira são as árvores consagradas a estes Orixás, bem como, o cachorro, a mosca e a formiga são seus animais representativos. Seu dia da semana é quarta-feira Xapanã e a segunda-feira para Sapaktá, sua cor é o roxo (Xapanã) e, vermelho e preto (Sapaktá). Não confundir com Lilás, que pertence a Nanã. Suas oferendas e sacrifícios, são enterrados no chão, no intuito de desfazer as mazelas, abençoando a terra/solo do terreiro ou casa.

    Na doença, Xapanã/Sapaktá, nos ensina através do sofrimento, o verdadeiro valor da vida, da compaixão, fazendo entender que dinheiro não é tudo, que na doença somos todos iguais, nos aproximando da fé.

    Vale lembrar que a "vassoura" foi concebida na tradição do Batuque, como "ferramenta de assentamento" e na forma de "objeto místico de descarrego" (conhecida popularmente como "vassoura de Xapanã"), devido a interpretação do uso do xaxará. Que vem a ser uma espécie de bastão que o Orixá traz nas mãos. Ele é feito de vários feixes de palha, enfeitado com búzios, contas e anéis de couro pintado de preto ou vermelho. Este instrumento foi interpretado como uma vassoura que varre o mundo dos vivos, que varre as epidemias, as mazelas. O seu interior é oco e o Babalorixá/Yalorixá ao construir o xaxará introduz em seu interior o axé destas divindades. As varetas que compõem o xaxará seriam referência à humanidade, aos indivíduos que estão sob o domínio, comando e proteção de Xapanã e Sapaktá. A palavra xaxará é composta do elemento "xaxá" que significa "pintas de varíola" e da sílaba "ará" que quer dizer "esfregar", "tirar", ou seja, "instrumento que varre/limpa a pestes".

    Em um de seus itans (lendas) que Xapanã/Sapaktá seria filho de Nanã, que o abandonou nas areias, dentro de um cesto/balaio, ainda bebê. Em decorrência de suas chagas incuráveis, espalhadas por todo seu corpo, por mais belo que o menino fosse, Nanã não suportou ver seu filho sofrer. Yemanjá, passeando nas areias junto da praia, o resgatou, encantou-se pelo bebê e lhe batizou de Xapanã, lhe livrando da morte, o criando como seu próprio filho. E do amor e leite materno recebido de Yemanjá, Xapanã teria curado a si mesmo, se tornando um respeitado, temido e belo homem. No qual todos os temiam, não ousando chamá-lo por seu verdadeiro nome, "Xapanã", e somente por Obaluayê (Rei da Terra) ou Omulú (Filho do Rei), tamanha grandeza deste Orixá. Por este mesmo itan (lenda), vem a passagem onde Xapanã veste e cobre-se de palhas, para esconder suas chagas, mesmo após curado. E Oyá/Yansã, muito curiosa, escondeu-se no mato, esperou Xapanã se aproximar e, com o poder de seus ventos, fez erguer suas palhas, deixando o rosto de Xapanã todo descoberto. Deste encontro surge a união destes dois Orixás, que se apaixonam e compartilham suas forças místicas.


Abaô Xapanã, Abaô Sapaktá - Atotô, ajuberô!



Axé, Pai Daniel de Oxum.



*imagens meramente ilustrativas, retiradas da internet (Google).